Home BelezaMédica revela estratégia mais eficaz para emagrecer após a menopausa

Médica revela estratégia mais eficaz para emagrecer após a menopausa

Estudo aponta terapia hormonal para potencializar resultados, mas especialistas reforçam que emagrecer com saúde exige abordagem integrada.

by Marissol
Foto de uma mulher na menopausa lendo peso na balança - Metrópoles

Emagrecer após a menopausa costuma ser um dos maiores desafios para muitas mulheres. A queda do estrogênio provoca mudanças profundas no metabolismo, favorece o acúmulo de gordura abdominal e dificulta a manutenção da massa muscular. Um novo estudo indica que a combinação da terapia hormonal da menopausa com a tirzepatida — medicamento aprovado para tratamento da obesidade — pode ampliar os resultados de emagrecimento nesse período da vida.

Mas especialistas reforçam que não existe fórmula mágica. O sucesso está em uma abordagem personalizada que integre hormônios, estilo de vida, alimentação, sono e, quando indicado, tratamento medicamentoso.

A “virada metabólica” da menopausa

Com a chegada da menopausa, o organismo feminino passa por uma verdadeira reprogramação metabólica. A queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, conhecida como gordura visceral, que está diretamente ligada ao aumento do risco de diabetes, doenças cardiovasculares e inflamação crônica.

Ad loading

Segundo a ginecologista Lisieux Nóbrega, essas mudanças vão muito além da estética.

“A menopausa funciona como uma virada metabólica. O corpo passa a armazenar mais gordura na região central, piora a sensibilidade à insulina e o risco cardiometabólico aumenta de forma significativa”, explica a mestre em Saúde da Mulher.

Além disso, fatores como pior qualidade do sono, ondas de calor, fadiga e maior estresse reduzem a disposição para atividades físicas e favorecem escolhas alimentares menos saudáveis. Soma-se a isso a perda progressiva de massa muscular com a idade, a chamada sarcopenia, que diminui o gasto calórico em repouso e torna o emagrecimento mais lento.

Imagem colorida: mulher de meia idade sentada em frente a ventilador - Metrópoles
Média de idade da mulher entrar na menopausa no Brasil é 48 anos; somente metade delas faz tratamento

Terapia hormonal pode facilitar o processo

A terapia hormonal da menopausa não deve ser encarada como tratamento para perda de peso. Seu principal objetivo é aliviar sintomas como ondas de calor, proteger a saúde óssea e melhorar a qualidade de vida. No entanto, quando bem indicada, pode exercer efeitos metabólicos positivos.

“A terapia hormonal ajuda a reduzir o acúmulo de gordura abdominal típico da pós-menopausa e melhora a sensibilidade à insulina, criando um ambiente metabólico mais favorável”, destaca Lisieux.

Evidências recentes sugerem que o estrogênio pode atuar em sinergia com medicamentos que modulam hormônios intestinais ligados à saciedade e ao metabolismo, como a tirzepatida. Na prática clínica, mulheres que utilizam ambas as abordagens têm apresentado, em alguns casos, maior perda de peso do que aquelas que usam apenas o medicamento.

Ainda assim, a médica ressalta cautela: “Esses dados são promissores, mas ainda estão em fase de consolidação científica. O que já sabemos é que uma estratégia integrada costuma trazer resultados mais consistentes e sustentáveis”.

Tirzepatida na pós-menopausa

A tirzepatida tem se mostrado uma das medicações mais eficazes no tratamento da obesidade, atuando na redução do apetite, aumento da saciedade e melhora do controle glicêmico. Mesmo isoladamente, promove perda de peso significativa em muitas mulheres.

Quando associada à terapia hormonal, pode favorecer não apenas maior emagrecimento, mas também melhor composição corporal, com redução da gordura abdominal e preservação da massa muscular.

No entanto, não se trata de uma combinação indicada para todas. A terapia hormonal possui contraindicações importantes, como histórico de câncer de mama, eventos tromboembólicos, doenças hepáticas e sangramentos sem causa esclarecida.

Já a tirzepatida não deve ser utilizada por mulheres com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome MEN2, além de exigir cautela em casos de doenças da vesícula biliar e retinopatia diabética.

Outro ponto relevante é a interferência do medicamento na absorção de fármacos orais.

“Como a tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, ela pode comprometer a absorção de hormônios por via oral. Na prática, muitas vezes optamos por vias não orais para a reposição hormonal, garantindo mais segurança”, explica a especialista.

Foto colorida de mulher segurando caneta de Ozempic e lateral da calça jeans - Metrópoles
Caneta emagrecedora

Emagrecimento sem medicamentos

Mesmo com avanços terapêuticos, a base do emagrecimento na pós-menopausa continua sendo o estilo de vida. Além disso, o foco não deve ser apenas o peso na balança, mas a redução da gordura abdominal e a preservação muscular.

A combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas é considerada a estratégia mais eficaz. A musculação combate a perda de massa magra e mantém o metabolismo ativo, enquanto os exercícios aeróbicos ajudam na redução da gordura visceral.

A alimentação também precisa ser estratégica, com ingestão adequada de proteínas ao longo do dia, maior consumo de fibras e redução de ultraprocessados e álcool.

O sono é outro pilar frequentemente negligenciado. Noites mal dormidas desregulam hormônios da fome, aumentam a compulsão alimentar e reduzem a disposição para se exercitar. Tratar sintomas da menopausa que interferem no descanso é parte essencial do processo de emagrecimento.

Foto mulher segurando tigela de vidro com verduras e legumes dentro - Metrópoles - comida saudável
Emagrecimento saudável

Tirzepatida sozinha ou associada à terapia hormonal: há diferença real?

Na prática clínica, algumas mulheres apresentam respostas mais robustas quando a terapia hormonal é associada ao tratamento medicamentoso para obesidade. Isso acontece porque o estrogênio ajuda a combater justamente os fatores que dificultam o emagrecimento na pós-menopausa: gordura abdominal, resistência à insulina e pior qualidade do sono.

“A tirzepatida é extremamente eficaz por si só, mas em mulheres com grande impacto hormonal, a reposição bem indicada pode potencializar os resultados e melhorar a composição corporal”, afirma Lisieux.

Ainda assim, muitas mulheres obtêm excelentes resultados apenas com mudanças de estilo de vida e medicação, sem necessidade de terapia hormonal. Tudo depende do perfil clínico, sintomas, riscos e objetivos de saúde.

Injeções para emagrecer com Semaglutida. Uma mulher obesa administra uma injeção de hormônio peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) no abdômen com uma seringa de caneta para tratar diabetes
Tirzepatida é o príncipio ativo do Mounjaro

Recomendações práticas para emagrecer com saúde após a menopausa

O emagrecimento nessa fase da vida exige estratégia, paciência e personalização. Especialistas destacam alguns pilares fundamentais:

  • Olhar além do peso, acompanhando circunferência abdominal e composição corporal.
  • Priorizar exercícios de força aliados a atividades aeróbicas regulares.
  • Adotar uma alimentação rica em proteínas, fibras e alimentos naturais.
  • Cuidar do sono e tratar sintomas da menopausa que prejudicam o descanso.
  • Investigar condições que dificultam o emagrecimento, como distúrbios hormonais e metabólicos.
  • Utilizar medicamentos e terapia hormonal apenas quando clinicamente indicados e com acompanhamento médico.
  • Atenção especial às combinações terapêuticas para garantir segurança e eficácia.

“Não se trata de buscar soluções rápidas, mas de construir uma estratégia integrada que respeite as mudanças do corpo feminino e promova saúde a longo prazo”, reforça a especialista.


Por: Marissol Fontana

Fonte: Metrópoles

Você também pode gostar

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Accept Read More

Privacy & Cookies Policy