A coleção Fall/Winter 2026 da Prada reafirma a moda como linguagem de identidade e transformação. Sob a direção criativa de Miuccia Prada e Raf Simons, o desfile propõe um olhar sensível sobre a pluralidade feminina, explorando a ideia de que uma mulher carrega múltiplas versões de si ao longo do dia — e ao longo da vida.


O ponto de partida da coleção é o layering — a sobreposição de peças como metáfora visual das camadas emocionais, sociais e simbólicas que compõem a experiência feminina. Saias surgem sobre calças, vestidos dialogam com casacos estruturados e texturas contrastantes criam composições que transitam entre delicadeza e força, intimidade e presença.

Mais do que uma proposta estética, a coleção se constrói como narrativa. Cada look revela nuances, contradições e possibilidades. A roupa deixa de ser apenas adorno e passa a atuar como ferramenta de expressão, adaptação e reinvenção. Vestir-se torna-se um gesto de autonomia — uma forma de assumir a própria complexidade sem simplificações.


Entre silhuetas deslocadas, volumes inesperados e combinações que desafiam hierarquias tradicionais do vestir, a temporada sugere um romantismo contemporâneo: menos idealizado e mais real. A beleza surge justamente da multiplicidade. Prada transforma a passarela em reflexão sobre identidade, tempo e liberdade — a liberdade de ser muitas em uma só.
Por: Revista MARI.SSOL

