A eficácia de um programa de exercícios, seja ele voltado para a hipertrofia ou para o emagrecimento, depende diretamente do suporte energético fornecido ao organismo antes da atividade. Segundo a nutricionista Carla de Castro, o pré-treino é o pilar que garante a execução eficiente dos movimentos, assegurando que o corpo disponha de glicose suficiente para iniciar o esforço com disposição e manter a estabilidade metabólica. Esse cuidado é essencial para evitar intercorrências comuns, como a fadiga precoce, quedas bruscas de energia e episódios de tontura.

De acordo com a profissional, o segredo de um rendimento otimizado não reside em um “superalimento” específico, mas sim na composição estratégica das refeições. Em vez de priorizar carboidratos de forma isolada, o ideal é buscar combinações que promovam uma liberação gradual de glicose na corrente sanguínea. A orientação técnica sugere associar carboidratos a fontes de proteínas ou gorduras de boa qualidade. Essa sinergia ajuda a manter o rendimento constante, melhora o foco cognitivo e estabiliza fatores psicológicos, como o humor e a motivação, que costumam oscilar conforme os níveis glicêmicos.
Alternativas naturais e o mercado de suplementação
Embora o setor de suplementos ofereça uma vasta gama de produtos industrializados, a nutrição funcional aponta que diversas opções naturais podem ser incorporadas à rotina com eficácia superior ou equivalente. Frutas como banana, maçã e tâmaras são indicadas como fontes de energia rápida. Quando integradas a itens como pasta de amendoim, castanhas ou iogurte, essas frutas proporcionam maior saciedade e uma oferta energética prolongada.
Outras opções recomendadas incluem o consumo de aveia com frutas, pão integral com ovos ou abacate, além de smoothies enriquecidos com sementes. O café também surge como um recurso estratégico para quem tolera bem a substância; a cafeína atua na melhora do estado de alerta e do desempenho físico, embora sua utilização não seja obrigatória para todos os perfis de atletas.

A importância do “timing” e da individualidade

O momento do consumo é um fator que influencia diretamente o resultado final. Carla de Castro pontua que a ingestão deve ocorrer preferencialmente entre 30 minutos e uma hora antes do início dos exercícios. Esse intervalo varia conforme a digestibilidade de cada alimento: refeições mais leves permitem um consumo mais próximo ao treino, enquanto refeições completas demandam um tempo maior de processamento gástrico.
O desrespeito a esse tempo mínimo de digestão pode acarretar desconfortos como refluxo, estufamento e mal-estar. Por outro lado, o treinamento sem o aporte necessário — especialmente em atividades de alta intensidade — pode resultar em irritabilidade e perda de potência muscular.
Sustentabilidade e equilíbrio
Entre os equívocos mais frequentes observados pela especialista estão o jejum sem planejamento, a negligência com a hidratação e o uso indiscriminado de estimulantes. Castro reforça que a alimentação não deve ser encarada como um sistema rígido de regras, o que poderia gerar ansiedade e comprometer a regularidade da prática esportiva. A abordagem defendida é a de uma nutrição funcional, simples e sustentável, que respeite as individualidades biológicas e promova o bem-estar físico e mental de forma integrada.
Por: Revista MARI.SSOL

