Uma missão aeromédica do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) levou, neste domingo (21), uma bebê de 8 meses para Curitiba (PR) para um transplante de fígado. A operação garantiu o deslocamento seguro da paciente, a pequena Eloise Campos, que enfrenta um quadro de falência hepática, e da avó, possível doadora no procedimento.
“Todo o suporte que tivemos do GDF, do SUS, do Hospital da Criança e do Hospital Pequeno Príncipe lá em Curitiba tem nos ajudado a fazer com que seja tudo viável, porque precisa dessa agilidade”Mariana Campos, cantora e mãe da criança
O voo partiu do Hangar de Aeronaves da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), no Aeroporto Internacional de Brasília, a bordo da aeronave Resgate 09, modelo Grand Caravan EX. A tripulação incluiu dois pilotos, um médico e um enfermeiro especializados em transporte aeromédico. Além de Eloise, embarcaram a mãe da criança, a cantora Mariana Campos, 27 anos, e a avó materna, a gestora de recursos humanos Aline Almeida, 45.
A necessidade do transplante surgiu após uma piora repentina no estado de saúde da bebê, que está em investigação médica desde os 5 meses de idade devido a alterações no fígado. Segundo a mãe, embora os médicos já soubessem da possibilidade de um transplante no futuro, a evolução do quadro acelerou o processo. “A minha filha teve uma piora muito repentina, chegou num quadro de falência hepática, então precisa fazer o transplante urgente, já que esse quadro pode causar outras alterações, inclusive a falência de outros órgãos”, explica.
Mariana ressalta a agilidade em conseguir o transporte para outro estado, uma vez que o tipo de procedimento não está disponível na capital federal. “Todo o suporte que tivemos do GDF, do SUS, do Hospital da Criança e do Hospital Pequeno Príncipe lá em Curitiba tem nos ajudado a fazer com que seja tudo viável, porque precisa dessa agilidade”, agradeceu.
“Quando a gente encontra suporte, nos dá uma segurança e uma confiança de que a gente tem a quem recorrer. Sou muito grata por tudo que tem acontecido na vida da minha filha. Em nenhum momento o GDF nos deixou desamparados, e hoje tenho a esperança de que minha filha poderá ter uma vida saudável”, enfatizou a mãe.

Em Curitiba, a equipe do CBMDF transportará a paciente e os familiares para o Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em transplantes pediátricos, com apoio de ambulância local. Antes da cirurgia, tanto a bebê quanto a avó passarão por novos exames para confirmar as condições necessárias para o procedimento.
“Contamos com a estrutura adequada para fazer o transporte com segurança e com conforto para o paciente e para a família”Coronel Eloizio Nascimento, comandante da aeronave
A avó foi apontada como potencial doadora após uma série de testes no DF. “Não imaginei que poderia ser eu, achava que seria minha filha ou meu genro, mas Deus providencia todas as coisas e fico muito lisonjeada de poder fazer isso pela minha neta e minha filha”, afirma ela, emocionada. Aline também destaca a importância do apoio recebido para viabilizar a viagem. “Agilizou muito, porque a gente conseguiu autorização, mas não tinha a condução de ida e ela precisa de uma condução especial. Fez toda a diferença no processo.”
Transporte especializado
A aeronave utilizada na operação foi adquirida pelo CBMDF em julho do ano passado e tem configuração multimissão, podendo ser adaptada para transporte de cargas, equipes de resgate ou pacientes, com capacidade para 11 pessoas. “Bastante versátil, é uma das melhores aeronaves que a gente tem no mercado para esse tipo de função e já tem um ano que está dando retorno para o cidadão de Brasília em missões desse tipo”, explica o comandante da aeronave, o coronel Eloizio Nascimento.
De acordo com Nascimento, a missão deste domingo foi planejada para ocorrer na melhor janela operacional possível, considerando a previsão climática para a região Sul do país. “Estamos saindo hoje por ser o melhor dia para ir em segurança. Entrou duas frentes frias em Curitiba na semana passada e tem uma prevista para semana que vem”, esclareceu. O voo tem duração estimada de quatro horas.
Médico designado para a missão, o major Marcelo Carvalho explicou que, após o aceite da solicitação, é feito um planejamento médico e logístico para viabilizar o transporte com segurança. A preparação engloba a análise do relatório médico da paciente, para verificar quais insumos e procedimentos podem ser necessários em casos de emergência, bem como a utilização do espaço da aeronave, que pode ser adaptada conforme a situação. Os profissionais de saúde presentes na tripulação têm especializações específicas para o transporte aeromédico.
“Temos um kit específico na aeronave, que mantém o paciente sempre preso, e os equipamentos também são todos fixados. Temos alimentação de energia, suporte de oxigênio, com autonomia para mais de 4, 5 horas com suporte adequado para o paciente a nível de terapia intensiva, além de incubadora neonatal, que não será usada nesse caso agora ”, exemplifica o médico. “Contamos com a estrutura adequada para fazer o transporte com segurança e com conforto para o paciente e para a família.”
Por: Revista MARI.SSOL / Fonte: Agência Brasília

