O evento Expert XP 2026 encerrou seu primeiro dia de atividades nesta quinta-feira com discussões aprofundadas sobre os rumos da economia mundial. Renomados especialistas, gestores e ex-autoridades debateram temas centrais que vão desde o impacto das novas tecnologias na ordem global até as perspectivas de alocação de recursos em mercados emergentes. Os painéis delinearam os desafios e as oportunidades que investidores e corporações enfrentarão nos próximos anos em um cenário de rápidas transformações.

No âmbito macroeconômico e geopolítico, a inovação tecnológica e as tensões internacionais dividiram as atenções. A ex-presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, ressaltou que as instabilidades no Oriente Médio e as políticas tarifárias geraram choques sucessivos na economia norte-americana no período pós-pandemia. Em paralelo, o historiador Niall Ferguson enfatizou que a corrida pelo domínio da inteligência artificial definirá a próxima disputa pelo poder global. Segundo o acadêmico, o fim da ausência de regulação nos Estados Unidos e o avanço de modelos abertos desenvolvidos pela China intensificam a competição tecnológica, transformando o setor em uma questão fundamental de segurança nacional. Yellen também analisou o tema e observou que, apesar de seu imenso potencial disruptivo, a inteligência artificial ainda carece de indicadores consolidados que comprovem um aumento geral de produtividade.

Além da inteligência artificial, a biotecnologia foi apontada como um vetor decisivo para o futuro dos negócios e da saúde. Gilberto Tomazoni, diretor executivo global da JBS, avaliou que o papel da biotecnologia nos próximos anos poderá ter um impacto ainda maior do que a própria inteligência artificial. O executivo explicou que a estratégia de crescimento de sua companhia baseou-se na internacionalização, na diversificação de mercados e em aquisições para estabilizar a geração de caixa. No setor de saúde, Paulo Moll, representante da Rede D’Or, explicou que a nova geração de medicamentos voltados para o emagrecimento representa uma mudança estrutural importante. Ele pontuou que a incorporação dessas novas tecnologias, embora traga inovações cruciais, frequentemente adiciona novos custos à operação, exigindo adaptações constantes das empresas do segmento.
No que tange aos investimentos, o panorama global aponta para uma possível rotação de capital capaz de beneficiar diretamente a América Latina. Especialistas como Ana Reynal, analista da Capital Group, e Seba Ramírez, chefe de ações chilenas da LarrainVial Asset Management, destacaram que a região apresenta empresas resilientes, com crescimento na casa dos dois dígitos em dólar, e avaliações de mercado altamente atrativas. Fabio Fischer, executivo da XP Internacional, corroborou essa visão ao afirmar que a assimetria em relação ao mercado norte-americano cria um ponto de partida bastante favorável. De acordo com os painelistas, uma realocação de apenas um por cento dos recursos oriundos dos Estados Unidos já seria suficiente para gerar um impacto massivo nas economias latino-americanas.
Para o investidor brasileiro, os especialistas orientam uma expansão de horizontes. Marina Valentini, estrategista do JP Morgan Asset Management, notou que o foco exclusivo no mercado interno faz com que muitos percam excelentes oportunidades de diversificação. Seguindo essa linha, Artur Wichmann, executivo da XP Inc., sugeriu que as carteiras mantenham uma exposição internacional de pelo menos quinze por cento, ressaltando que a porcentagem ideal deve ser cuidadosamente ajustada às necessidades e à realidade financeira de cada indivíduo.
Por fim, o congresso dedicou espaço aos investidores de varejo, ressaltando a importância do preparo psicológico e da visão de longo prazo em um ambiente de alta volatilidade. Profissionais do mercado, incluindo Leandro Cruz, Pam Semezzato e Márcio Kieling, concordaram que a consistência é mais relevante do que a busca por ganhos ininterruptos. A recomendação central para o investidor pessoa física é adotar uma postura semelhante à dos operadores institucionais, estabelecendo limites claros para os riscos e aceitando as perdas diárias como parte inerente do processo. A jornada no mercado financeiro foi definida pelos especialistas não como uma corrida de velocidade, mas como uma verdadeira maratona, na qual o maior desafio reside no controle emocional.
A cobertura das tendências financeiras e tecnológicas do mundo contemporâneo continuará nesta sexta-feira, dia 24 de julho, com a programação do segundo dia do evento.
Por: Revista MARI.SSOL
