Home CelebridadesA despedida de um mestre: morre, aos 72 anos, o maestro Roberto Tibiriçá

A despedida de um mestre: morre, aos 72 anos, o maestro Roberto Tibiriçá

Com uma trajetória de mais de quatro décadas, o regente titular da Sinfônica do Paraná deixa um legado histórico para a música de concerto no Brasil e no mundo.

by Marissol

A música erudita brasileira perdeu um de seus nomes mais expressivos. Na madrugada deste sábado, dia 3 de outubro, faleceu na cidade de São Paulo o maestro Roberto Tibiriçá, aos 72 anos. Vítima de complicações decorrentes de um câncer, o músico estava internado na capital paulista e deixa uma marca indelével na cultura nacional. Desde o ano de 2022, ele exercia os cargos de regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná, coroando uma vida inteira dedicada à arte.

A notícia gerou forte comoção no cenário artístico. Instituições de prestígio, como o Centro Cultural Teatro Guaíra e a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, manifestaram profundo pesar pela perda. Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Teatro Guaíra, ressaltou em homenagem pública que a herança cultural deixada pelo amigo permanecerá viva na memória de cada músico e espectador tocado por seu trabalho. A última vez em que o maestro subiu ao pódio ocorreu recentemente, no dia 16 de julho, quando conduziu a Sinfônica do Paraná na cidade de Londrina, como parte do projeto social e cultural Guaíra para Todos.

A relação de Tibiriçá com as partituras começou de forma precoce. Aos oito anos de idade, ele iniciou sua caminhada no universo clássico estudando piano. Mais tarde, encontrou sua verdadeira vocação na regência sob a tutela de Eleazar de Carvalho, um de seus grandes mentores, com quem colaborou por quase duas décadas na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Esse período de intenso aprendizado forjou a base de uma carreira sólida e internacionalmente reconhecida.

Durante seus mais de quarenta anos de atuação, o regente esteve à frente de algumas das mais respeitadas orquestras globais e nacionais. No exterior, destacou-se em Portugal, atuando como regente assistente no Teatro Nacional de São Carlos e comandando a Orquestra Metropolitana de Lisboa. No Brasil, sua batuta guiou conjuntos renomados, incluindo a Orquestra Sinfônica Brasileira, na qual assumiu a direção artística em 1994, além das sinfônicas de Campinas, São Bernardo do Campo, Minas Gerais e Heliópolis. Entre os anos de 2000 e 2003, também ocupou a direção artística da Orquestra Sinfônica Petrobrás Pró-Música.

O espírito pioneiro do maestro também se refletiu na indústria fonográfica. A partir da década de 1970, atuou como diretor artístico em gravadoras e viabilizou registros primordiais, sendo o responsável pela produção do único disco da célebre pianista Guiomar Novaes gravado em território nacional, composto exclusivamente por obras brasileiras. Em paralelo, Tibiriçá protagonizou momentos memoráveis para multidões. No final dos anos 1980, fundou a Orquestra Nova Filarmonia, responsável por acompanhar o lendário tenor italiano Luciano Pavarotti. Anos depois, em 1997, regeu a Missa Campal para o Papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, um evento histórico que reuniu um público estimado em dois milhões de fiéis.

O talento inquestionável de Roberto Tibiriçá rendeu homenagens significativas em vida. Aclamado como Músico do Ano pela crítica do Rio de Janeiro em 1995, ele também foi condecorado pelo governo fluminense com o Prêmio Estácio de Sá. O reconhecimento institucional veio em 2003, ao assumir a cadeira de número cinco da Academia Brasileira de Música, além de ter sido nomeado membro honorário da Academia Nacional de Música em 2018. As informações sobre o local de seu velório serão divulgadas em breve, marcando o último adeus a um profissional que dedicou sua existência à excelência técnica e à democratização da cultura.

Por: Revista MARI.SSOL

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