Uma celebração no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, ganhou repercussão política nesta segunda-feira, 12 de outubro, após o padre Ferdinando Mancílio fazer referências à utilização da imagem de Nossa Senhora Aparecida por pessoas que, segundo ele, não demonstrariam verdadeiro compromisso com os valores representados pela santa. Sem mencionar nomes, o religioso afirmou que se sente indignado ao ver a imagem da padroeira do Brasil ser utilizada por quem não a ama de fato. Em sua homilia, também fez apelos por verdade, paz e justiça, destacando a importância de valores que, segundo suas palavras, deveriam orientar a sociedade brasileira.
Durante a celebração, marcada pela presença de crianças e fiéis que participaram das homenagens à santa, o padre reforçou o papel de Nossa Senhora Aparecida como símbolo nacional da fé católica. Em vários momentos, destacou a necessidade de uma convivência baseada na justiça social e na promoção da paz. A manifestação ocorre em um contexto no qual questões religiosas ganharam espaço no debate eleitoral. Antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, a figura de Nossa Senhora Aparecida tornou-se alvo de discussões políticas após declarações do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, o senador afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria declarar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. A fala gerou interpretações e alimentou a circulação de informações falsas nas redes sociais, incluindo a alegação de que Nossa Senhora Aparecida perderia o título de padroeira do país. Em meio à controvérsia, houve trocas de acusações envolvendo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A entidade negou participação na disseminação do boato e divulgou posicionamento defendendo o combate à desinformação.
Após a repercussão do episódio, Flávio Bolsonaro participou de compromissos públicos segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e buscou aproximar seu discurso do eleitorado católico. O Dia de Nossa Senhora Aparecida também mobilizou lideranças políticas dos dois campos que disputam o segundo turno presidencial. Flávio Bolsonaro participou de uma missa na Catedral de Brasília, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou uma celebração realizada no Palácio da Alvorada.
Na Basílica de Aparecida, a missa solene contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanhado da esposa, Lu Alckmin, além de aliados políticos e integrantes do governo federal. As declarações do padre voltaram a evidenciar a relação entre religião e política no atual cenário eleitoral brasileiro, tema que tem ocupado espaço significativo nos debates públicos ao longo da campanha presidencial deste ano.
Por: Revista MARI.SSOL

