O cenário cinematográfico global registrou marcas históricas neste fim de semana com o impressionante desempenho financeiro de duas produções de terror de estúdios independentes. O longa-metragem “Backrooms”, uma parceria entre a A24 e a Chernin Entertainment, alcançou uma arrecadação global de US$ 118 milhões em sua estreia. Desse total, US$ 81,4 milhões foram gerados no mercado interno norte-americano, igualando o desempenho de estreia “The Mandalorian and Grogu”, registrado no período anterior. Com este resultado, o diretor Kane Parsons, de apenas 20 anos, tornou-se o cineasta mais jovem da história a liderar o ranking de bilheterias mundiais, além de estabelecer a maior abertura de um filme original comandado por um estreante.
A base de espectadores do filme concentra-se predominantemente entre as gerações mais jovens, repetindo o fenômeno observado em 2023 com a adaptação de “Five Nights at Freddy’s”. Dados demográficos indicam que 86% do público que compareceu aos cinemas possui menos de 35 anos, sendo que 66% têm menos de 25 anos e 44% estão abaixo dos 21 anos. Em termos comparativos, “The Mandalorian and Grogu”, que obteve um valor total de abertura semelhante, registrou uma participação de apenas 27% na faixa etária inferior aos 25 anos, evidenciando o forte apelo de “Backrooms” com o público jovem conectado à internet.
Embora a forte concentração na Geração Z e na Geração Alpha, combinada com avaliações moderadas do público (como a nota B- no CinemaScore e 74% de aprovação no Rotten Tomatoes), possa sugerir uma desaceleração nas próximas semanas, “Backrooms” já superou os custos de produção e garantiu rentabilidade comercial. A expectativa do mercado é que a obra ultrapasse o faturamento global de US$ 191 milhões de “Marty Supreme” nos próximos dias, tornando-se a maior arrecadação da história da distribuidora A24. Adicionalmente, o encerramento da narrativa projeta uma continuidade clara, o que sinaliza o potencial para a criação da primeira grande franquia da empresa em seus 13 anos de existência.
Paralelamente, o filme “Obsession”, distribuído pela Focus Features, manteve sua trajetória de crescimento em sua terceira semana de exibição. A produção registrou um aumento de 10% nos lucros do fim de semana, somando US$ 26,4 milhões e totalizando US$ 104,7 milhões na bilheteria doméstica, além de US$ 148 milhões globalmente. O desempenho estabelece um recorde histórico para a Focus Features. Diferente de “Backrooms”, que se beneficiou de ampla repercussão prévia em plataformas de vídeo, “Obsession” construiu seu sucesso a partir da recepção em exibições de meia-noite no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e da repercussão orgânica sobre sua trama impactante e a atuação de Inde Navarrette.
Um elemento comum une os dois grandes sucessos do gênero de terror na atualidade: a empresa Blumhouse-Atomic Monster, estúdio de produção unificado de Jason Blum e James Wan. A Atomic Monster atuou na coprodução de “Backrooms” junto à 21 Laps e à North Road Entertainment. Por sua vez, a Blumhouse coproduziu “Obsession”, que se tornou o filme de menor orçamento a ultrapassar a marca de US$ 100 milhões no mercado norte-americano desde o lançamento de “Atividade Paranormal” em 2009.
Em contrapartida, a produção da Disney e Lucasfilm, “The Mandalorian and Grogu”, sofreu uma retração expressiva de 70% em seu segundo fim de semana, arrecadando US$ 25 milhões. O acumulado da produção alcança US$ 137,4 milhões no mercado doméstico e US$ 246,6 milhões globalmente. Embora o público familiar ainda compareça aos cinemas, a forte concorrência dos títulos de terror junto ao público jovem reduziu o ritmo da franquia espacial, tornando provável que o longa não alcance o total global de US$ 392 milhões obtido por “Solo: Uma História Star Wars” em 2018.
Por fim, a cinebiografia “Michael”, dirigida por Antoine Fuqua e distribuída pela Lionsgate e Universal, ocupa a quarta posição do ranking semanal com US$ 11,7 milhões. O filme soma agora US$ 340 milhões nos Estados Unidos e US$ 851 milhões ao redor do mundo. A produção sobre a vida do Rei do Pop encontra-se a US$ 124 milhões de superar “Oppenheimer” como a cinebiografia de maior arrecadação de todos os tempos na história do cinema.
Por: Revista MARI.SSOL

