Apresentada no histórico Old Billingsgate, a nova coleção da Burberry propôs mais do que um desfile: construiu um estado de espírito. À frente da marca, Daniel Lee encontrou na noite de Londres o cenário ideal para refletir sobre o presente — um tempo guiado por algoritmos, mas ainda permeado por espaços de surpresa e imaginação.
A passarela evocava esse território entre controle e acaso. Silhuetas envolventes, casacos de presença quase arquitetônica e sobreposições densas sugeriam proteção contra o frio e a imprevisibilidade das ruas após o anoitecer. Em contraste, pontos de brilho, transparências e texturas fluidas insinuavam movimento, encontros e a pulsação invisível da cidade.
Lee parece interessado em resgatar a experiência sensorial do vestir: roupas que acompanham trajetórias, capturam luzes difusas e dialogam com o cenário urbano. A herança britânica da Burberry permanece reconhecível, mas surge filtrada por uma estética mais emocional, onde o clima, a memória e a atmosfera ocupam o centro da narrativa.
O resultado é uma coleção que transforma a noite em metáfora — não de escapismo, mas de possibilidade. Um lembrete de que, mesmo em tempos previsíveis, a cidade escura ainda guarda histórias à espera de serem vestidas.
Por: Revista MARI.SSOL
Reprodução: Burberry