
A combinação de grandes aglomerações com o relaxamento de hábitos de higiene no Carnaval cria o cenário perfeito para a propagação de microrganismos. Segundo a infectologista Fernanda Guioti Puga, do Grupo São Lucas, o aumento na busca por prontos-atendimentos durante e após o feriado é notável.
Atenção às doenças respiratórias e aglomerações no Carnaval
As queixas durante o Carnaval, segundo a especialista, variam de crises respiratórias e COVID-19 a casos de dengue e infecções gastrointestinais. O contato físico próximo e o compartilhamento de objetos são os principais facilitadores dessa transmissão. A proximidade nos blocos facilita a troca de secreções e a inalação de gotículas suspensas no ar. Isso explica por que as viroses respiratórias costumam disparar nesse período.
Fatores de risco no Carnaval
A exposição elevada a microrganismos ocorre porque as barreiras naturais de defesa do corpo podem estar baixas. Isso devido ao cansaço e ao consumo excessivo de álcool. Além da COVID-19, outras síndromes gripais encontram caminho livre quando as medidas de prevenção são deixadas de lado.
Como minimizar o contágio
Sempre que possível, prefira ambientes abertos e ventilados. A higienização frequente das mãos com álcool em gel continua sendo uma aliada poderosa, mesmo no meio da folia. Evitar tocar o rosto e os olhos sem antes higienizar as mãos reduz drasticamente a chance de contaminação.
Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs): a proteção é indispensável
O Carnaval é uma época de maior interação social, e a prevenção não pode ser esquecida. O uso do preservativo é a medida mais eficaz para prevenir não apenas o HIV, mas também sífilis, gonorreia e herpes genital.
Prevenção combinada: PrEP e PEP
Para além do preservativo, existem medidas profiláticas importantes. A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é indicada para quem tem exposição recorrente ao risco. Já a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) deve ser buscada em até 72 horas após uma situação de risco. Como o rompimento do preservativo ou relação desprotegida.
O que fazer após o feriado?
A Dra. Fernanda orienta que qualquer sinal suspeito, como feridas genitais, corrimentos ou manchas na pele, deve ser investigado. Realizar a testagem para ISTs após o feriado é um ato de autocuidado e responsabilidade coletiva.
Perigo das doenças gastrointestinais e da Hepatite A
O calor intenso e o consumo de alimentos na rua podem esconder riscos de intoxicação alimentar e infecções como a Hepatite A. Manter o Carnaval com saúde passa necessariamente pelo que você ingere.
Cuidados com alimentação e bebidas
Nunca compartilhe copos, garrafas ou talheres. O compartilhamento de objetos é um dos maiores vetores de viroses gastrointestinais. Além disso, priorize alimentos bem cozidos e observe a procedência do que consome na rua.
Hidratação estratégica
A desidratação é uma das principais causas de mal-estar no Carnaval. A recomendação médica é beber água frequentemente, alternando sempre com o consumo de álcool. Isso ajuda o fígado a processar as toxinas e mantém o equilíbrio hidroeletrolítico do corpo.
Combate às arboviroses: não esqueça o repelente
Com o aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya, o uso de repelente torna-se obrigatório. Especialmente para quem vai pular Carnaval durante o dia ou em áreas com vegetação.
Uso correto do repelente
O repelente deve ser reaplicado conforme as instruções da embalagem, principalmente se houver suor excessivo ou contato com água. As arboviroses podem causar febre alta e dores intensas no corpo. Isso interrompe imediatamente a alegria da festa.
Sintomas que exigem atenção
Se após o feriado você apresentar febre persistente, dores atrás dos olhos ou manchas vermelhas pelo corpo, não se automedique. Procure um serviço de saúde. Pois o uso de certos analgésicos e anti-inflamatórios pode agravar quadros de dengue.
Dicas práticas para uma folia segura
Para garantir que sua única lembrança do Carnaval seja a alegria, siga este guia rápido de cuidados:
- Lave as mãos ou use álcool em gel: Especialmente antes de comer ou tocar o rosto.
- Mantenha-se hidratado: A água é sua melhor amiga contra a ressaca e a exaustão.
- Use protetor solar e repelente: O sol e os mosquitos não tiram férias.
- Descanse: O corpo precisa de horas mínimas de sono para manter a imunidade alta.
- Cuidado com o gelo: Em ambulantes, o gelo pode ser feito com água não potável, sendo um risco para viroses.
O autocuidado garante a festa
Como reforça a Dra. Fernanda Guioti Puga, o Carnaval não precisa ser sinônimo de risco. A informação e a prevenção são as melhores ferramentas para garantir que você aproveite todos os dias de bloco. Ter um Carnaval com saúde é uma escolha individual que impacta toda a comunidade. Ao cuidar de si, você também protege quem está ao seu redor.
Caso surja qualquer sintoma suspeito após os dias de festa, procure orientação médica e realize os exames necessários. Divirta-se com responsabilidade!
Por: Marissol Fontana
Fonte: Metrópoles / saúde em dia

