A Chanel vive um momento de transformação sutil, porém marcante. Em sua quarta apresentação à frente da maison, o diretor criativo Mathieu Blazy demonstra que respeita profundamente a herança da marca, mas não tem receio de reinterpretá-la para dialogar com o presente. O resultado é uma coleção que combina tradição e frescor, aproximando a grife do estilo de vida da mulher contemporânea.
Elementos clássicos da Chanel — como o tailleur de tweed, as pérolas, a camélia e a paleta em preto e branco — continuam presentes, mas aparecem sob um novo olhar. Blazy explora proporções diferentes e revisita referências históricas da marca. Inspirado pela década de 1920, período em que Gabrielle Chanel consolidou sua revolução na moda feminina, o estilista desloca a cintura e alonga a silhueta, trazendo saias posicionadas na altura do joelho e uma leitura mais fluida das formas.
Outro ponto que marca essa fase é o grupo de modelos que tem acompanhado os desfiles da marca. Entre os nomes que ganharam destaque estão Bhavitha Mandava, recém-anunciada como a primeira embaixadora indiana da Chanel, Stephanie Cavalli, que abriu o desfile aos 49 anos, e Awar Odhiang, que já havia encerrado uma das apresentações anteriores do estilista. Juntas, elas representam a diversidade e a atitude que definem essa nova etapa da maison.
A coleção também aposta em um brilho sofisticado. Vestidos e casacos surgem com tecidos luminosos que refletem a luz de maneira delicada, enquanto bordados acrescentam um toque elegante pensado para ocasiões especiais. É um glamour refinado, que se encaixa tanto em eventos noturnos quanto em produções mais discretas.
Os tradicionais tweeds seguem como protagonistas, mas aparecem renovados. Em versões mais leves e com cortes inesperados, o tecido símbolo da marca ganha nova vida, reafirmando seu papel como um dos pilares da identidade da Chanel.
Blazy parece compreender que a Chanel pertence a diferentes gerações. Por isso, a coleção inclui desde peças pensadas para mulheres maduras, que valorizam sofisticação e conforto, até blazers estruturados e cheios de personalidade que conquistam o público millennial. Há ainda propostas que dialogam com a geração Z, sem perder a elegância que caracteriza a maison.
No conjunto, a coleção revela uma Chanel atual, voltada para mulheres independentes, urbanas e confiantes. Uma moda que preserva o legado da marca enquanto reafirma seu lugar entre os grandes desejos do universo fashion.
Por: Revista MARI.SSOL