O desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições de 2026 provocou um movimento de autocrítica entre integrantes do PT e aliados políticos. Em reuniões realizadas nos últimos dias para analisar o cenário eleitoral, cresceu o número de vozes que passaram a questionar a exposição da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, durante a campanha.
Entre os episódios que repercutiram internamente esteve uma manifestação da ex-senadora Kátia Abreu, que defendeu maior protagonismo do vice-presidente Geraldo Alckmin na reta final da disputa. A declaração encontrou respaldo entre participantes de uma reunião partidária e foi interpretada como uma indicação de que a campanha deveria ampliar a presença de figuras capazes de reforçar mensagens ligadas à moderação política e à responsabilidade fiscal.
As discussões também incluíram críticas à forma como a campanha foi conduzida ao longo dos últimos meses. Integrantes do partido apontaram a necessidade de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado e defenderam estratégias que aproximem mais o presidente de públicos considerados decisivos para o segundo turno.
Sem mencionar diretamente a primeira-dama em diversos momentos dos debates, alguns participantes sugeriram mudanças na comunicação e nos eventos de campanha. Houve ainda comentários sobre a necessidade de reduzir iniciativas consideradas direcionadas ao público já alinhado ao projeto político do presidente e concentrar esforços em eleitores ainda indecisos.
Nos bastidores, alguns aliados também atribuíram desgaste político a episódios envolvendo Janja durante a campanha. Um dos pontos citados foi uma declaração direcionada ao deputado federal Nikolas Ferreira durante um ato eleitoral em Minas Gerais. Segundo avaliações de integrantes da base governista, a situação pode ter gerado repercussão negativa entre parte do eleitorado do parlamentar.
Outro tema discutido foi a decisão do governo de avançar com medidas relacionadas às apostas esportivas online. Embora a iniciativa tenha sido inicialmente vista por aliados como potencialmente popular, avaliações posteriores passaram a apontar possíveis impactos negativos na percepção de parte dos eleitores.
Também entrou na análise um evento com artistas realizado no Rio de Janeiro semanas antes da votação. Integrantes do entorno presidencial questionaram se ações desse tipo contribuíram para ampliar o alcance da campanha ou se os esforços deveriam ter sido direcionados para segmentos menos identificados com o presidente.
Ao longo do processo eleitoral, Janja ampliou sua presença pública e passou a ocupar espaço de destaque em atividades de campanha, participando de comícios, propagandas eleitorais e eventos políticos. Sua atuação marcou uma mudança em relação aos anos anteriores, quando sua participação era mais concentrada nos bastidores.
Com o início do segundo turno, a coordenação da campanha avalia ajustes na estratégia e busca reforçar a participação de diferentes lideranças políticas na tentativa de ampliar o diálogo com novos grupos de eleitores e fortalecer a candidatura presidencial na fase decisiva da disputa.
Por: Revista MARI.SSOL

