Estudo revela ligação entre higiene bucal e enxaqueca em mulheres

Mulheres com maus hábitos de higiene bucal estão mais propensas a ter enxaqueca e outras dores no corpo, de acordo com pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Sydnei, na Austrália. A equipe analisou dados de 158 mulheres não fumantes, sem diabetes ou doenças crônicas que moravam em Auckland, na Nova Zelândia, entre dezembro de 2021 e dezembro de 2022.

Os resultados do estudo demonstram que as mulheres com menores índices de saúde bucal apresentavam maior propensão a sofrer enxaquecas e dor no corpo no geral. Isso porque uma pior saúde bucal está relacionada ao maior número de agentes patológicos orais.

Por exemplo, a presença de bactérias do gênero Lancefieldella e a bactéria Mycoplasma salivarius, que está presente na boca de muitas pessoas e geralmente é considerada “inofensiva”, foram associadas à enxaqueca.

“Os baixos valores de saúde oral correlacionaram-se com valores mais elevados de dor. Ambos foram associados a uma maior abundância relativa de agentes patogênicos orais. Isto sugere um papel potencial para o microbiota oral na etiologia da dor sentida pelas mulheres com enxaqueca e dor abdominal e corporal. Estes resultados levam a considerar a existência de um eixo microbioma oral-sistema nervoso”, afirmam os cientistas na pesquisa.

Saúde bucal em mulheres

Ao Correio, a dentista e coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Aria, Maria Leticia Bucchianeri, explica que a saúde bucal das mulheres está sujeita a diversas alterações ao longo da vida. “Já na infância, os dentes nascem mais cedo nas meninas, o que as torna mais suscetíveis à doença cárie, uma vez que os dentes estão por mais tempo expostos aos fatores de risco desta doença. Na puberdade, ao longo dos ciclos menstruais, durante a gravidez, e no climatério e menopausa, as alterações hormonais tornam as mulheres mais vulneráveis a quadros de inflamação gengival e até de doenças periodontais”, esclarece.

Além disso, os hormônios femininos influenciam na microbiota que coloniza a placa bacteriana, uma camada pegajosa e incolor constituída por bactérias, saliva e partícula de alimentos que se forma sobre os dentes.

“As flutuações hormonais a que as mulheres são submetidas ao longo de sua vida podem influenciar o equilíbrio da microbiota, ora permitindo que a placa bacteriana seja colonizada por bactérias mais patogênicas (“agressivas”), ora fazendo que nosso sistema imunológico responda de uma maneira mais exacerbada frente à presença da placa bacteriana, causando quadros mais intensos de inflamação gengival”, expõe a profissional.

Por Isabela Stanga do Correio Braziliense

Foto: Marek Studzinski/Unsplash / Reprodução Correio Braziliense

Related posts

Família na Estrutural recebe casa completamente reformada por meio do programa Melhorias Habitacionais

Em primeiro ato como governadora, Celina Leão lança programa GDF na sua Porta, no Itapoã

Programa Pontes para o Mundo abre 400 vagas de intercâmbio em inglês, espanhol e francês

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Read More