Fraga diz que há entraves na discussão do reajuste das forças de segurança

O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF) criticou a demora na resposta ao pedido de audiência feito pelo Governo do Distrito Federal (GDF) ao governo federal para tratar do reajuste salarial das forças de segurança pública de Brasília. Segundo o parlamentar, há “entraves” no diálogo entre os governos. Ele participou nesta terça-feira (25/2) do programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília.

Na conversa com as jornalistas Samanta Sallum e Ana Maria Campos, o parlamentar expôs sua visão sobre a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, as eleições no Distrito Federal em 2026, os eventos de 8 de janeiro de 2023 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.

Fraga destacou a importância da recomposição salarial para policiais e bombeiros do DF. Ele elogiou a iniciativa do governador Ibaneis Rocha (MDB), que enviou ao governo federal o pedido de reajuste. O deputado ressaltou que, após o envio, é fundamental que os parlamentares federais e o presidente Lula apoiem a aprovação da medida no Congresso Nacional.

“O inimigo comum das polícias Civil e Militar é o bandido. A sociedade, quando está em apuros, não quer saber se você usa farda ou colete. Ela quer resolver o problema. Não podemos deixar duas instituições necessárias ao combate à violência terem um policial ganhando R$ 10 mil e outro ganhando R$ 5 mil”, reforçou. 

Denúncia contra o ex-presidente

Ao ser questionado sobre a denúncia envolvendo Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, em razão dos eventos de 8 de janeiro de 2023, Fraga afirmou discordar dos apontamentos feitos pela Procuradoria Geral da República (PGR) e defendeu a inocência do ex-presidente. O deputado argumentou que não há provas concretas que justifiquem a culpabilidade de Bolsonaro e criticou o que considera uma perseguição política.

“Não existem provas. Acho que o governo (Lula), que deve estar por trás disso com certeza, viu em Bolsonaro um candidato muito forte à presidência. Se deixá-lo disputar normalmente, ele está eleito. Mas o tornaram inelegível, porque ele se reuniu com embaixadores para falar mal das urnas eletrônicas. Acredito que muita coisa vai acontecer. A Organização dos Estados Americanos (OEA) está de olho nas decisões do senhor Alexandre de Moraes, que arrumou para si dois grandes inimigos: o homem mais poderoso do mundo, Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) e o homem mais rico, Elon Musk”, frisou.

Eleições 2026

Sobre o cenário político para as eleições de 2026 no Distrito Federal, Fraga destacou que pretende se candidatar ao governo local. “Não quero mais a Câmara. São cinco mandatos. Posso colocar meu nome à disposição. Se não for pelo Partido Liberal (PL), pode ser por outra legenda. Acho que tenho muito a oferecer a esta cidade”, disse. 

O deputado entrou na corrida pelo Palácio do Buriti em 2018, mas não foi eleito.

O parlamentar falou ainda sobre incertezas quanto à disputa ao Senado na capital. “Parece que está fácil e definido, mas não é bem assim. Acredito que uma vaga ao Senado, se Michele (Bolsonaro) disputar, é dela. A outra vaga é que precisamos conversar”, afirmou.

8 de janeiro

Fraga comentou os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando a Praça dos Três Poderes foi vandalizada. O deputado condenou os atos de violência, mas ponderou que é necessário distinguir entre manifestantes pacíficos e aqueles que cometeram crimes. Ele defendeu o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e ressaltou que apenas os responsáveis diretos pelos danos sejam punidos.

“A anistia não é para Bolsonaro. Uma senhora que pintou uma estátua de batom pegou 17 anos, enquanto uma dama do tráfico é condenada a 6 ou 7 anos. O que está errado é a dosimetria. Claro que quem quebrou as coisas tem que pagar. Eu sou militar. Sei o que é um golpe de Estado. Não existe golpe, sem planejamento prévio, sem liderança e apoio das forças armadas”, pontuou.

PEC da Segurança

Por fim, Fraga fez duras críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, a qual classificou como um “desastre”. “Ela mostra que o ministro Ricardo Lewandowski não conhece nada de Segurança Pública. Se querem nos ajudar, comecem acabando com as audiências de custódia, nas quais, a cada 10 presos em flagrante, seis são liberados; exigindo a votação do novo código de processo penal. O crime avançou e se organizou, mas o governo segue parado”, disse.

Por Carlos Silva do Correio Braziliense

Foto: Ana Dubeux/CB / Reprodução Correio Braziliense

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