Ibaneis: “Acho de bom tom que deixemos de lado a política e cuidemos de Brasília”

Ao entregar à Casa Civil o pedido de audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir o reajuste das forças de segurança do Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) destacou no texto a “urgência e o teor” do assunto. Ao Correio, o chefe do Executivo local voltou a falar sobre a necessidade de o tema ser tratado deixando de lado as diferenças políticas. Até o fechamento desta edição, o GDF não havia recebido resposta sobre a data do encontro.

Perguntado sobre qual apelo faria ao presidente Lula neste momento, Ibaneis Rocha resumiu assim: “Acho de bom tom que deixemos de lado a política e cuidemos de Brasília”. O reajuste para as três corporações — Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil — vai ter um impacto de R$ 2,3 bilhões no orçamento.

Os recursos para cobrir o aumento de despesa na folha de pagamento do funcionalismo virão do Fundo Constitucional (FCDF), segundo informou o Secretário de Economia, Ney Ferraz. A previsão do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA/25) é que o GDF receba este ano R$ 25 bilhões do FCDF, aumento de 7,75% em relação a 2024, quando foram destinados R$ 23,2 bilhões. 

Equiparação

O chefe do Executivo enviou ao governo federal a proposta de aumento de 30%, em média, prevendo que o percentual seja incorporado em duas parcelas — inicialmente em 2025 e a segunda, em 2026. Ao Correio, o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), garantiu que a equiparação da PCDF com a Polícia Federal será alcançada até maio de 2026.

Para Ibaneis, o argumento de que o aumento de salário das polícias do DF é usado pelas corporações de outros estados para pressionar o governo federal a fazer o mesmo para os servidores da segurança de outras unidades da Federação não é novidade. “Sempre usam isso”. E que um jeito de contra-argumentar é “no campo político e técnico”. 

Vão participar da audiência com Lula o chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, e os secretários de Economia, Ney Ferraz, e da Segurança Pública, Sandro Avelar. Se eles conseguirem convencer o Planalto a fazer a Medida Provisória com o aumento, ela será encaminhada para apreciação do Congresso Nacional e, posteriormente, volta para a sanção do presidente Lula. 

Entenda

Mas se o DF tem o recurso do Fundo Constitucional suficiente para absorver o aumento de salário, porque o presidente Lula e o Congresso Nacional precisam aprovar a proposta do GDF? “Porque o recurso do Fundo Constitucional vem da União e sua utilização segue normas previstas em lei. Qualquer aumento de gasto com pessoal precisa ser autorizado pelo governo federal e deve ser feito por meio de lei ordinária. Por isso, tem que passar, também, pelo Congresso Nacional”, explica uma fonte ao Correio

O conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha, pontua que a previsão está no artigo 21, inciso XIV da Constituição Federal: Compete à União organizar e manter a Polícia Civil, a Polícia Penal, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio. “Por isso, toda lei de reestruturação de carreira, estabelecimento de remuneração e criação de cargos precisa ser de iniciativa do presidente da República, a partir de uma solicitação do governador e depende dessa negociação entre os poderes. Depois é encaminhado um projeto de lei ou medida provisória ao Congresso”, detalha Rainha.

O conselheiro explicou ainda que o artigo 4º da Lei 10.633/22, que criou o Fundo Constitucional previa que os recursos seriam repassados ao GDF até o dia 5 de cada mês, a partir de janeiro de 2023, em contas específicas para Segurança, Saúde e Educação. “Porém, isso nunca aconteceu. O governo federal sempre preferiu pagar diretamente aos credores, ou seja, aos militares, bombeiros, Polícia Civil, Saúde e Educação. É uma ilegalidade, uma omissão que até hoje nunca foi resolvida determinada pela lei”, afirma Rainha.

Em vigor desde 2002, o Fundo Constitucional é um recurso repassado anualmente pela União ao DF. É destinado ao custeio e ao pagamento de pessoal nas áreas da saúde, educação e segurança pública. Nessa última, o fundo é utilizado também para investimento. O valor do recurso é calculado com base na Receita Corrente Líquida (RCL), isto é, quanto maior a arrecadação da União, maior será o valor repassado ao DF.

Colaborou Mila Ferreira

Por Adriana Bernardes do Correio Braziliense

Foto: Ed Alves CB/DA Press / Reprodução Correio Braziliense

Related posts

Anvisa aprova nova versão multidose do medicamento Mounjaro no Brasil

Sabrina Carpenter consolida status de popstar em estreia como headliner no Lollapalooza Brasil

Estudante de 17 anos assume a Secretaria de Educação por um dia

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Read More