ISTs estão entre as principais causas evitáveis de infertilidade

Durante o Julho Amarelo, mês voltado à prevenção das hepatites virais, especialistas reforçam um alerta que ainda recebe pouca atenção: infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) estão entre as principais causas evitáveis de infertilidade e, em muitos casos, evoluem sem sintomas perceptíveis.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), doenças como clamídia, gonorreia, sífilis e hepatites B e C podem causar inflamações internas que passam despercebidas e, ao longo do tempo, provocam lesões nas trompas, cicatrizes uterinas e prejuízos à produção e qualidade dos espermatozoides. A clamídia, por exemplo, está presente em até 40% dos casos de infertilidade tubária em mulheres.

O ginecologista Marcelo Ferreira, da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, destaca que essas infecções muitas vezes só revelam as consequências anos depois. “A maioria das ISTs que afetam a fertilidade não dá sinais evidentes, mas podem deixar sequelas anatômicas e funcionais importantes. Por isso, exames de rotina são indispensáveis, mesmo quando não há planos imediatos de gravidez”, diz o médico.

Ele ressalta que o país conta com ferramentas acessíveis para prevenção, como vacinas contra hepatite B e HPV, testagens gratuitas oferecidas pelo SUS e protocolos de tratamento eficientes. “Ainda falta consciência de que preservar a fertilidade também envolve medidas preventivas, e não só ações médicas quando o problema já está instalado”, reforça.

Segundo estudo publicado em junho de 2025 pelo Journal of Sexual and Reproductive Health, 1 em cada 5 jovens brasileiros não utiliza preservativo em relações casuais — aumentando o risco de contágio por ISTs silenciosas. Além disso, dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% dos adultos ainda não completaram o esquema vacinal contra a hepatite B.

Para quem pretende engravidar, o ideal é começar o pré-natal antes mesmo da concepção. “Essa preparação inclui testagens de ISTs, exames de imagem, avaliação sorológica e atualização vacinal. Esses cuidados fazem diferença tanto na chance de engravidar quanto na saúde do bebê e da gestação como um todo”, conclui Marcelo Ferreira.

Por Painel da Cidadania

Fonte Correio Braziliense      

Foto: Freepik

Related posts

Cadastro atualizado no Meu SUS Digital garante atendimento agilizado nas unidades básicas de saúde do DF

Atendimento com mediação em Libras já está disponível no Detran-DF

Governador Ibaneis Rocha assina termo que destina área em Brazlândia para construção de moradias sociais

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Read More