3O governo dos Estados Unidos retirou nesta sexta-feira (12/12) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.A punição — que restringia suas movimentações financeiras — foi adotada no final de julho, quando o governo Donald Trump tentava interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.A medida não funcionou e Moraes, relator do processo, liderou a decisão da Primeira Turma da Corte que condenou Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. Desde novembro, Bolsonaro cumpre sua pena numa cela especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.A queda da sanção vem um dia depois de uma nova decisão de Moraes que irritou bolsonaristas. Na quinta-feira (11/12), o ministro anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação de Carla Zambelli (PL-SP), apesar de sua condenação pelo STF por invadir sistemas de mandados judiciais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio de um hacker.Sua decisão foi confirmada pela Primeira Turma em julgamento virtual nesta sexta.Poderoso e controverso, Alexandre de Moraes se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de forma inesperada.Ele entrou na Corte em 2017, com a abertura de uma vaga quando o ministro Teori Zavascki morreu tragicamente em um acidente aéreo em Paraty (RJ).Com isso, o então presidente Michel Temer (MDB), que não teria nenhuma indicação ao Supremo em seu breve mandato após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), pôde indicar seu então ministro da Justiça ao Tribunal, um nome da centro-direita de São Paulo, assim como ele.Em apenas oito anos, ele se tornou protagonista da vida política e jurídica brasileira, passando de odiado a venerado em parte da esquerda.Seu perfil duro no Direito Penal ganhou protagonismo no STF quando ele passou a relatar uma séria de investigações, e depois processos, contra suspeitos de atentar contra a democracia, principalmente bolsonaristas — casos que se desdobraram em seu gabinete a partir do polêmico inquérito das Fake News, criado em 2019.O ápice desse movimento ocorreu em setembro deste ano, quando Bolsonaro e mais sete réus foram considerados culpados da acusação de tentativa de golpe de Estado — algo inédito.Os outros condenados são ex-integrantes de seu governo, sendo três generais do Exército e um almirante da Marinha.A atuação do ministro ao longo da investigação e as decisões que tomou à frente do processo lhe renderam elogios e críticas. Também o tornaram alvo de pedidos de impeachment no Congresso, além das sanções diretas do governo Trump.Aqueles que o defendem dizem que sua atuação foi necessária para garantir a democracia no Brasil.Seus detratores questionam se o ministro, ele próprio alvo do suposto plano de golpe, teria a isenção necessária para julgar o caso e denunciam supostos abusos e uma concentração excessiva de poder em suas mãos.Mas como Alexandre de Moraes ficou tão poderoso?

