O Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, é uma data fundamental para falar da trajetória de quem enfrenta a doença, das dores, dos desafios e da esperança. Mas é também, e cada vez mais, um momento para reforçar a importância da prevenção, para que os números crescentes de câncer no Brasil e no mundo não continuem avançando.
Nesse contexto, ganha força o conceito da campanha deste ano, “United by Unique” que reforça a necessidade de enxergar cada pessoa em sua individualidade, considerando histórias, necessidades, valores e contextos no cuidado oncológico.
Prevenir o câncer passa, de forma direta, por estimular hábitos de vida mais saudáveis, que também protegem contra outras doenças crônicas graves, como problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão e doenças respiratórias. Isso envolve falar sobre obesidade, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do tabagismo e do consumo de álcool, vacinação e adesão aos exames de rastreamento. Uma atenção consistente a esses fatores aumenta as chances de diagnósticos precoces e, consequentemente, de melhores resultados no tratamento.
Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou dados relevantes sobre o comportamento da população brasileira por meio do Vigitel 2025, o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. A pesquisa monitora, anualmente, hábitos e condições de saúde da população adulta das capitais brasileiras e do Distrito Federal, oferecendo um retrato importante dos fatores associados às doenças crônicas não transmissíveis.
Segundo o Vigitel, entre 2006 e 2024, a proporção de pessoas com obesidade aumentou 118%, enquanto o excesso de peso cresceu 47%. Esses números acendem um alerta importante, especialmente diante da relação conhecida entre obesidade e maior risco para diversos tipos de câncer.
Por outro lado, há sinais positivos que merecem destaque. A prática de atividade física no tempo livre alcançou 42,3% da população, um crescimento significativo em relação a 2009. Também houve queda no consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas, o que representa um avanço importante para a saúde coletiva. No entanto, o consumo regular de frutas e hortaliças segue estável, em torno de 31% da população, mostrando que ainda há muito espaço para melhorar a qualidade da alimentação dos brasileiros.
Outro ponto que precisa ganhar mais atenção nas estratégias de prevenção é a qualidade do sono. Os dados nacionais indicam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e que mais de 31% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre as mulheres. O Ministério da Saúde ressalta que esses indicadores reforçam a importância de políticas integradas de promoção da saúde.
Sono adequado, controle do estresse, momentos de lazer, cuidado com a saúde mental e bem-estar emocional não podem mais ser vistos como aspectos secundários. Eles também devem fazer parte da pauta da prevenção do câncer. Cada vez mais, é necessário olhar não apenas para o paciente oncológico, mas para o indivíduo de forma integral, considerando suas necessidades físicas, emocionais e sociais.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
Por: Marissol Fontana
Fonte: Forbes