O desfile da Etro reafirmou aquilo que sempre esteve no centro da identidade da casa italiana: a capacidade de revisitar suas próprias raízes sem perder o impulso de inovação. Na passarela, o que se viu foi um diálogo entre passado e presente, onde elementos clássicos da marca reapareceram reinterpretados, sustentando uma narrativa que avança justamente porque sabe retornar.
Conhecida por suas estampas marcantes, especialmente o icônico paisley, a Etro explorou texturas, sobreposições e combinações cromáticas que evocam sua herança boêmia e sofisticada. No entanto, nada soou previsível. As referências históricas surgiram com novos recortes, silhuetas atualizadas e uma leitura contemporânea que reforça a ideia de evolução contínua.

A coleção apresentou um equilíbrio entre fluidez e estrutura. Tecidos leves contrastaram com alfaiataria precisa, enquanto padrões tradicionais ganharam novas proporções e aplicações. O resultado foi uma construção estética que honra o legado da marca sem se prender a ele.

Mais do que uma simples apresentação de tendências, o desfile evidenciou uma filosofia criativa: revisitar é transformar. Ao olhar para seus próprios códigos, a Etro demonstra que a moda não precisa romper com o passado para seguir adiante. Pelo contrário, é na reinterpretação consciente de sua história que encontra força para se renovar.
Na passarela, o ciclo se completou — apenas para começar de novo.

Por: Revista MARI.SSOL

