Pesquisa no DF e em SP mostra que 20% dos pacientes são diagnosticados em estágio avançado

Vinte por cento dos brasileiros recém-diagnosticados com glaucoma já apresentam a forma avançada da doença, segundo um estudo publicado na revista AJO International. O glaucoma é, geralmente, uma doença assintomática, especialmente nos estágios iniciais, podendo ocorrer uma perda significativa da visão antes que o diagnóstico adequado seja feito.“Em casos de diagnóstico tardio, existe o risco de a doença se apresentar em fases avançadas, com maior risco de o paciente ter uma perda de campo visual significativa”, relata o oftalmologista Ricardo Yuji Abe, um dos autores do artigo.

O estudo foi realizado em seis clínicas e hospitais oftalmológicos de São Paulo e do Distrito Federal, incluindo duas unidades do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), na Asa Sul e em Sobradinho. Participaram 523 pessoas acima de 18 anos recém-diagnosticadas com glaucoma. Dessas, 20% já estavam em estágio avançado e 4,2% apresentavam baixa visão. Segundo Yuji Abe, uma pesquisa divulgada pelo Ibope em 2020 mostrou que quatro em cada 10 brasileiros desconhecem a doença — o índice chega a 71% entre adultos com mais de 55 anos. “A falta conhecimento dificulta que o paciente faça exames oftalmológicos regularmente, o que possibilitaria um diagnóstico mais precoce”, lamenta. 

O glaucoma é uma doença degenerativa e progressiva que danifica as células do nervo óptico e não tem cura, mas pode ser controlada. Quanto antes diagnosticada, melhor para evitar qualquer perda visual. A doença é mais comum após os 40 anos e tem como principal fator de risco a idade e o aumento da pressão intraocular (dentro dos olhos).  Porém, essa não é a única causa. Devem ser considerados também aspectos raciais, histórico familiar e miopia elevada.

Sintomas

Boa parte dos pacientes não apresentam sintomas logo que o glaucoma se instala. “A perda do campo visual geralmente é percebida em estado avançado, quando entre 40% e 50% da visão já está comprometida”, descreve Yuji Abe. “Sendo assim, é fundamental fazer exames oftalmológicos regularmente, com medição da pressão intraocular, exame do fundo de olho e exames complementares como campo visual para auxiliar no diagnóstico.”

O tratamento do glaucoma é feito com colírios, laser e cirurgias e depende de fatores como tipo e severidade da doença, adesão ao tratamento e idade do paciente, entre outros. Segundo Yuji Abe, o estudo publicado na revista AJO International reforça a importância da conscientização da população sobre a doença, para evitar o risco de cegueira. “O glaucoma é considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo e deve afetar 111,8 milhões de pessoas em 2040. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 900 mil brasileiros são afetados”, alerta.  

Por Paloma Oliveto do Correio Braziliense

Foto: Pexels/Divulgação / Reprodução Correio Braziliense

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