O Museu do Louvre, em Paris, permaneceu fechado nesta segunda-feira, 19 de outubro, após estudantes bloquearem o acesso ao local. A interrupção das atividades ocorreu em meio à onda de protestos que se espalhou pela França e levou o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu a solicitar a adoção de toques de recolher em diferentes municípios. Mais de 500 mil pessoas participaram de manifestações contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Embora parte dos atos tenha transcorrido pacificamente, saques, incêndios e confrontos foram registrados em várias cidades. Uma pessoa morreu, quase mil agentes de segurança ficaram feridos e aproximadamente 2.400 manifestantes foram detidos.
A relação completa das cidades submetidas às novas restrições deverá ser definida após consultas entre o governo nacional e as administrações municipais. Marselha, uma das localidades mais afetadas pelos distúrbios, proibiu manifestações e aglomerações entre meio-dia e 20h. Em Denain, nas proximidades da fronteira com a Bélgica, foi estabelecido um toque de recolher noturno válido até domingo.
Lecornu considera as restrições locais mais adequadas ao atual estágio da crise. O primeiro-ministro, no entanto, não descartou a adoção do estado de emergência caso a violência continue. A medida havia sido defendida por Bruno Retailleau, dirigente do partido conservador Republicanos.A União Europeia afirmou que o direito à manifestação pacífica precisa ser preservado, mas classificou como inaceitáveis os incêndios, ataques e saques ocorridos durante o fim de semana.
Protestos devem continuar
O movimento dos Coletes Amarelos anunciou uma nova mobilização para sábado, 24 de outubro, chamada de “Ato 2”. A onda de protestos teve início cerca de quatro semanas antes, quando estudantes do ensino médio passaram a reivindicar melhores condições de ensino. Com o avanço das manifestações, o movimento incorporou demandas relacionadas ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos.
Nesta segunda-feira, o presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na atuação policial e determinou uma reavaliação das estratégias de segurança. Também solicitou novas formas de ação para impedir barricadas, invasões e saques. Na noite anterior, durante pronunciamento nacional, o presidente havia condenado a violência e admitido a possibilidade de proibição de manifestações em áreas consideradas críticas.
Macron recusou o pedido de demissão apresentado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, mas exigiu esclarecimentos sobre as falhas de inteligência e prevenção que antecederam os confrontos. Nuñez admitiu que as forças de segurança perderam o controle da situação em algumas cidades.
Cerca de 60 mil policiais e agentes foram mobilizados no sábado, contingente que não foi suficiente para conter os grupos envolvidos nos episódios de violência. Apesar das restrições, a partida entre Paris Saint-Germain e Barcelona pela Liga dos Campeões, marcada para terça-feira, 20 de outubro, deverá ser mantida.
Estudantes bloqueiam instituições em Paris
A mobilização no Louvre foi conduzida por estudantes da École du Louvre. A administração do museu informou que os visitantes prejudicados pelo fechamento poderão solicitar reembolso. Também foram registrados protestos e bloqueios na Sciences Po, universidade localizada no centro de Paris. Na capital e em cidades como Marselha e Lyon, atos inicialmente pacíficos terminaram em confrontos provocados principalmente por grupos mascarados.
Prédios públicos foram invadidos, uma prefeitura foi incendiada e estabelecimentos comerciais sofreram saques e depredações. Carros, bicicletas e patinetes também foram queimados. Mais de dois mil estabelecimentos comerciais foram atingidos em todo o país. Os prejuízos podem alcançar centenas de milhões de euros. Somente em Paris, aproximadamente 400 lojas foram danificadas.
Crise amplia tensão política
Os distúrbios ocorrem a poucos meses de uma eleição presidencial decisiva para a França. Emmanuel Macron não poderá disputar outro mandato, enquanto Marine Le Pen, líder do partido de ultradireita Reunião Nacional, ocupa posição de destaque nas pesquisas eleitorais. Lecornu atribuiu parte da escalada da violência a grupos da ultraesquerda. Le Pen, por sua vez, acusou o partido ligado a Jean-Luc Mélenchon, um de seus principais adversários políticos, de legitimar os confrontos.
As críticas ao governo partem de diferentes lados. Representantes da esquerda afirmam que Macron não tem respondido adequadamente às reivindicações sociais, enquanto setores da direita exigem medidas mais rigorosas para restabelecer a ordem. Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon, todos de centro-esquerda, cobraram explicações sobre o preparo das forças de segurança. As autoridades municipais relataram que regiões inteiras das três cidades pareceram permanecer sem proteção durante os episódios mais graves.
Por: Revista MARI.SSOL

