Soluço incontrolável, câncer de pele e problemas no coração: os argumentos da defesa de Bolsonaro para evitar cadeia
A defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta sexta-feira (21/11) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente cumpra sua pena desde o início em prisão domiciliar.
Os advogados de Bolsonaro argumentam que, pelas condições de saúde dele, a cadeia pode representar um “risco à vida” do ex-presidente — que, segundo eles, sofre de “doença grave de natureza múltipla (cardiológica, pulmonar, gastrointestinal, neurológica e oncológica)”.
O documento da defesa se dirige ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação no STF que condenou Bolsonaro em setembro.
O ex-presidente recebeu pena de 27 anos e três meses em regime inicial fechado. Ele foi condenado, entre outros crimes, por golpe de Estado e participação em organização criminosa armada.
Os advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser dizem que uma eventual prisão em regime fechado teria “graves consequências” pois Bolsonaro tem vários problemas de saúde, precisa cumprir tratamentos rotineiros e pode necessitar de atendimento emergencial.
Eles apontam para a “absoluta incompatibilidade entre tais condições e o ambiente prisional, que não dispõe da infraestrutura necessária para manejo clínico e emergencial adequado”.
O documento lista várias doenças e males que acometem Bolsonaro, como o refluxo, que pode ter consequências para o pulmão; “soluços incoercíveis”; câncer de pele; hipertensão; e apneia do sono grave.
Destacam também a idade dele, 70 anos.
Algumas dessas condições, diz a peça, são “complicações permanentes” da facada sofrida por Bolsonaro em 2018.
A defesa apresentou junto ao pedido vários exames de Bolsonaro e citou seu histórico de hospitalizações.
“[Os exames] mostram que um mal grave ou súbito não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando'”, sentencia o documento.
A defesa de Bolsonaro solicita a “prisão domiciliar em caráter humanitário”, como é conhecida a prisão domiciliar concedida a condenados acometidos por doença grave, algo previsto em lei.
Os advogados trazem exemplos de decisões anteriores do STF e do ministro Alexandre de Moraes que concederam prisão domiciliar a pessoas com problemas de saúde, como o ex-presidente Fernando Collor.
Condenado por corrupção, Collor foi autorizado a cumprir pena em sua casa, em Alagoas, devido ao diagnóstico de Parkinson.