O avanço das apostas online no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental, educadores financeiros e gestores públicos. Em resposta ao aumento da demanda por atendimento especializado, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a disponibilizar cerca de 100 mil teleatendimentos mensais voltados ao acompanhamento e tratamento de pessoas que enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas digitais.
A medida surge em um momento de expansão acelerada das plataformas de apostas esportivas e jogos online, que se popularizaram nos últimos anos por meio de campanhas publicitárias, patrocínios esportivos e facilidade de acesso por dispositivos móveis. Embora sejam frequentemente apresentadas como forma de entretenimento, essas atividades também têm sido associadas a casos de endividamento, ansiedade, depressão e prejuízos nas relações familiares.
O novo serviço deverá ampliar o acesso ao cuidado psicológico e ao acompanhamento especializado para pessoas que apresentam sinais de compulsão. Entre os comportamentos mais comuns estão a necessidade constante de apostar valores cada vez maiores, a dificuldade de interromper os jogos, a tentativa de recuperar perdas financeiras por meio de novas apostas e o comprometimento da vida profissional e pessoal.
Especialistas destacam que a dependência em apostas possui características semelhantes a outros transtornos comportamentais. Em muitos casos, os impactos vão além das finanças, afetando a saúde emocional, a autoestima e a convivência social. O tratamento costuma envolver acompanhamento psicológico, suporte familiar e estratégias de educação financeira.
A ampliação dos atendimentos por telemedicina também representa uma alternativa para alcançar pessoas que vivem em cidades com oferta reduzida de serviços especializados. O modelo remoto permite maior agilidade no acesso ao suporte profissional e reduz barreiras geográficas que costumam dificultar o tratamento.
O crescimento do setor de apostas tem provocado discussões em diversos países sobre a necessidade de regulamentação, proteção ao consumidor e mecanismos de prevenção ao jogo compulsivo. No Brasil, o tema ganhou relevância à medida que aumentaram os relatos de pessoas afetadas por perdas financeiras significativas e problemas de saúde mental associados ao hábito de apostar.
Além do atendimento clínico, especialistas defendem ações educativas voltadas à conscientização sobre os riscos do jogo excessivo, especialmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade financeira. A informação é considerada uma ferramenta essencial para evitar que o entretenimento se transforme em um problema capaz de comprometer diferentes áreas da vida.
Com a ampliação da rede de cuidado, o SUS busca oferecer uma resposta mais robusta a um fenômeno recente, mas cada vez mais presente na realidade brasileira. A iniciativa reforça a importância de tratar a dependência em apostas como uma questão de saúde pública, ampliando o acesso à assistência e promovendo acolhimento para quem precisa de ajuda
Por: Revista MARI.SSOL

