Veja o passo a passo de possível perda de patente de militares condenados
Militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado que foram condenados a mais de dois anos de prisão deverão passar por um novo processo. Dessa vez, o trâmite é na Justiça Militar e pode resultar na perda de patente.
É o caso de Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército; Almir Garnier, almirante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército; Augusto Heleno, general do Exército; Walter Braga Netto, general do Exército.
Todos eles tiveram a ação penal que tramitava no STF (Supremo Tribunal Federal) encerrada (transitada em julgado) na última semana, dando início ao cumprimento de pena.
Na quarta-feira (26), o STM (Superior Tribunal Militar) informou que recebeu o ofício do STF para avaliar a perda de patentes dos militares condenados pela trama golpista.
O processo de perda de patente de oficiais das Forças Armadas segue um rito específico previsto no Regimento Interno da Corte militar. A cassação do posto e das prerrogativas só ocorre após a condenação definitiva, quando a sentença transita em julgado.
A partir desse momento, cabe ao procurador-geral da Justiça Militar iniciar o procedimento. Ele encaminha ao Tribunal Militar uma representação para que os ministros decidam se o oficial é “indigno” ou “incompatível” com o oficialato. Apenas essa decisão administrativa-judicial pode retirar a patente.
Após o recebimento da representação, é definido um ministro relator do processo. A primeira função do relator será determinar a intimação do militar, que tem dez dias para apresentar defesa por escrito. Caso o prazo expire sem manifestação, o relator solicita a nomeação de um defensor público, que terá o mesmo período para elaborar a defesa.
Concluída essa etapa, o processo passa pelas mãos de um ministro revisor. Assim que o revisor devolver o processo, o relator pede a inclusão do caso em pauta de julgamento. A data é escolhida pela presidente do Tribunal, a ministra Maria Elizabeth Rocha.
Na sessão, o presidente do Tribunal anuncia o início da análise; em seguida, o relator apresenta o caso, o revisor opina e as partes podem fazer sustentação oral, trazendo argumentos em favor da absolvição de seus clientes. Depois, todos os ministros votam.
Encerrada a votação, ainda caberão recursos. A perda de patente, se assim os ministros decidirem, só será efetivada após o trânsito em julgado.
Só então o Tribunal comunica oficialmente o resultado ao comandante da força à qual pertence o militar (Marinha, Exército ou Aeronáutica) que é responsável por executar a determinação de perda ou manutenção da patente.
Como mostrou a CNN, apesar da perda de patente, os militares condenados podem continuar sendo remunerados, com pensões a esposa e familiares mantidos.