O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, oficializou nesta quarta-feira a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar para ocupar a vaga de vice em sua chapa. O anúncio ocorreu no último dia do prazo legal estabelecido para as convenções partidárias e sacramentou a formação de uma chapa pura pelo Partido Liberal. A decisão final foi tomada em virtude da opção das siglas que compõem o centro político por não firmarem coligações formais para o pleito presidencial.
Durante o pronunciamento oficial, o novo candidato a vice-presidente destacou suas raízes nordestinas e a sua trajetória de atuação no Ministério Público, além de prometer lealdade e coragem ao projeto político. Alfredo Gaspar ganhou notoriedade nacional recente ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, um dos episódios de maior desgaste para a atual administração federal. Em seu discurso inaugural na nova posição, ele prestou homenagens ao pai falecido e a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, reforçando o compromisso da chapa com o enfrentamento à criminalidade e à corrupção.
Em um movimento estratégico direcionado ao eleitorado feminino, Gaspar dedicou parte de sua fala para expressar gratidão à sua família e às mulheres que foram previamente cotadas para o posto. A sinalização integra um esforço da coordenação de campanha para ampliar a aproximação e reduzir as resistências junto a esse segmento demográfico. No palco, a presença de lideranças femininas de peso, como a senadora Tereza Cristina e a executiva Daniella Marques, buscou equilibrar a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela não compareceu à cerimônia em decorrência de recentes divergências públicas com o candidato presidencial por questões de espaço na campanha, situação que, segundo aliados, já se encontra pacificada.
A adoção de uma solução interna pelo partido foi o desfecho de um período de negociações e dificuldades em fechar alianças nacionais. Legendas como Progressistas, União Brasil, Republicanos e Podemos decidiram manter neutralidade na corrida pelo Palácio do Planalto. Essa postura institucional inviabilizou as indicações de nomes de grande relevância no mercado e na política, a exemplo de Daniella Marques e Tereza Cristina, que não obtiveram o aval de suas respectivas cúpulas para integrarem formalmente a composição majoritária.
Apesar de a falta de alianças formais resultar em menor tempo de televisão e menos inserções publicitárias, a coordenação da chapa demonstra otimismo. Flávio Bolsonaro e o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, enfatizaram que, mesmo sem o endosso institucional das legendas, a candidatura conta com o apoio de figuras proeminentes desses mesmos partidos. Os acenos públicos do governador paulista Tarcísio de Freitas e do deputado Marcos Pereira ilustram a aposta do partido de que as articulações e os apoios regionais compensarão a neutralidade dos diretórios nacionais.
Por: Revista MARI.SSOL

