Muitos anos antes de quebrar recordes globais de reprodução musical e protagonizar os maiores festivais do planeta, uma jovem de 14 anos deixava a Tailândia rumo à Coreia do Sul em busca de um sonho. Hoje, aos 29 anos, Lalisa Manobal, conhecida mundialmente apenas como Lisa, vive um momento de profunda redefinição profissional e pessoal. A artista é o foco do documentário “Always Lalisa”, com estreia nos cinemas agendada para o dia 12 de outubro. A obra cinematográfica captura justamente o ano em que ela decidiu dar uma pausa nas atividades conjuntas de seu grupo, o Blackpink, para explorar novos horizontes de forma inédita em mais de uma década de carreira.
O período de afastamento voluntário abriu espaço para experimentações que testaram as habilidades e os limites da estrela. Entre os marcos mais notáveis dessa nova fase, destaca-se a sua estreia como atriz na mais recente temporada da aclamada série de televisão “The White Lotus”. As gravações permitiram que a artista passasse seis meses residindo em seu país natal, proporcionando um conforto emocional inestimável. A pausa de um ano exigiu a organização de uma agenda intensa, dividida entre a produção musical em Los Angeles e preciosos momentos de reconexão familiar. A intenção principal era vivenciar desafios diferentes, saindo da zona de conforto de sua posição consolidada como rapper para explorar o seu desejo antigo de cantar, o que culminou no desenvolvimento do álbum solo “Alter Ego”.
A trajetória de Lalisa começou muito cedo e exigiu uma resiliência extraordinária. Aos 13 anos, ela participou de audições para a agência de talentos YG Entertainment e logo embarcou sozinha para iniciar um rigoroso treinamento. A rotina envolvia práticas incansáveis e aulas diárias do idioma local. Viver em um país estrangeiro durante a juventude e navegar pelas exigências da indústria do entretenimento trouxeram pressões consideráveis, temas que o documentário aborda com extrema sensibilidade sob a direção de Sue Kim. A cineasta conseguiu criar um ambiente acolhedor, permitindo que a cantora falasse abertamente sobre as restrições impostas aos artistas, desde relacionamentos até atividades cotidianas simples. Hoje, dona de uma visão mais madura, Lisa afirma buscar ativamente um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e o trabalho, compreendendo que essa harmonia é essencial para a sua arte.
Apesar do distanciamento profissional temporário, os laços com as outras integrantes de seu grupo permaneceram inabaláveis. A ausência dos palcos compartilhados revelou a força de uma união construída ao longo de anos de convivência intensa. Durante os projetos individuais, o contato por mensagens e chamadas de vídeo foi contínuo, frequentemente pontuado por encontros calorosos para compartilhar refeições tradicionais. O retorno ao trabalho coletivo trouxe uma energia completamente renovada, marcada pelo amadurecimento de cada integrante e por uma confiança ampliada após todas encontrarem suas próprias vozes criativas.
O alicerce de toda essa jornada reside inegavelmente no apoio e no afeto familiar. Os pais da cantora foram fundamentais ao confiarem no potencial da filha desde os seus primeiros passos no exterior, suportando a difícil decisão de enviar uma adolescente para outro país em nome de um sonho. Além desse núcleo presente, figuras que já partiram continuam a influenciar e a guiar a estrela. Antes de grandes apresentações, a artista cultiva a tradição íntima de convocar espiritualmente o seu avô, falecido durante o período de isolamento global, e o seu antigo professor de dança, Nok, para acompanharem o espetáculo. Esse profundo rito de conexão reflete a gratidão constante àqueles que atuam como verdadeiros anjos da guarda em sua vida, consolidando uma trajetória brilhante que honra tanto o passado quanto o futuro promissor de Lalisa Manobal.
Por: Revista MARI.SSOL

