Deputado defende fim da jornada 6×1: “Mais tempo para viver”

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul sediou, nesta segunda-feira (3/10), uma audiência da Subcomissão Especial destinada a debater e apresentar sugestões à PEC 8/25, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 — seis dias de expediente e apenas um de descanso. A proposta, parada há uma década no Congresso, voltou à pauta impulsionada por uma ampla mobilização social que já ultrapassa 1,5 milhão de assinaturas em defesa da redução da jornada.

O texto, relatado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), altera a Constituição para reduzir a carga máxima semanal de 44 para 36 horas, com a obrigatoriedade de dois dias de folga remunerada. O objetivo, segundo os defensores da proposta, é garantir mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, sem diminuição de salários.

Durante o encontro de hoje, o deputado Bohn Gass (PT-RS) destacou que a iniciativa representa um passo essencial para valorizar o tempo de vida dos trabalhadores.

“O importante é que haja a redução, sem a redução do salário, para que de fato as pessoas possam ter mais tempo na família, na saúde, no estudo e no lazer”, afirmou. Ele também mencionou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que tem defendido mudanças semelhantes em nível nacional.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores, Gabriel Bezerra Santos, reforçou o caráter social da pauta e lembrou as desigualdades que ainda marcam o mundo do trabalho no país.

“Entre 1995 e 2024, quase 70 mil trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo, e 80% deles eram assalariados. […] Por isso é fundamental que possamos avançar nessa pauta da escala 6/1 e que possamos construir um Brasil mais soberano, mais digno”, alertou.

Já a desembargadora aposentada do TRT da 4ª Região, Magda Barros Biavaschi, situou o debate no contexto histórico das lutas trabalhistas e alertou para os riscos de retrocessos.

“A redução da jornada é essencial e fundamental nesse cenário. […] Precisamos assegurar direitos e igualdade de condições a todos os trabalhadores, como prevê a Constituição”, defendeu, criticando a ampliação de vínculos precários como os de pejotização em atividades essenciais.

O debate reuniu representantes de movimentos sindicais, juristas e parlamentares estaduais, que defenderam a urgência de atualizar a legislação à realidade social e produtiva. A expectativa é que as conclusões da subcomissão sirvam de base para fortalecer a tramitação da PEC no Congresso Nacional.

Por Revista Plano B

Fonte Correio Braziliense

Foto: Câmara dos Deputados

Related posts

Confira dicas para aproveitar o feriado no aniversário de 66 anos de Brasília

Após reforma do GDF no Teatro Nacional, Orquestra Sinfônica completa um ano de retorno à casa com recorde de público

Com apoio do GDF, TecnoGame 2026 reúne multidão no Pavilhão do Parque da Cidade

This website uses cookies to improve your experience. We'll assume you're ok with this, but you can opt-out if you wish. Read More