Depois de uma estreia que dividiu opiniões no mundo da moda, o estilista holandês Duran Lantink apresentou seu segundo desfile para a tradicional maison Jean Paul Gaultier, agora com uma proposta mais lapidada e consistente. Mesmo com uma abordagem mais refinada, o designer manteve como destaque a irreverência nas formas e na construção das peças — marca registrada de seu trabalho autoral e que lhe garantiu reconhecimento internacional, incluindo uma categoria especial no LVMH Prize em 2024.
Nesta temporada, a alfaiataria surgiu como ponto de partida para experimentações criativas. Elementos clássicos foram reinterpretados de maneira inusitada: lapelas apareceram invertidas, enquanto blazers ganharam novas funções ao serem usados como saias. Em alguns looks, uma calcinha de alfaiataria era sobreposta às produções — tanto masculinas quanto femininas — reforçando a proposta de brincar com códigos tradicionais do vestir.
Se na coleção anterior as estampas com corpos masculinos nus viralizaram nas redes, desta vez o estilista optou por uma abordagem igualmente provocativa, trazendo ilustrações de manequins de madeira articulados, também despidos. O recurso adiciona uma camada de ironia e reflexão sobre o corpo e a própria construção da moda.
Quando Lantink foi anunciado para o projeto, o próprio Jean Paul Gaultier destacou a afinidade criativa entre eles. O designer francês afirmou enxergar no holandês a mesma energia, ousadia e espírito lúdico que marcaram o início de sua carreira — descrevendo-o como o novo enfant terrible da moda contemporânea.
Por: Revista MARI.SSOL