O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, prestou depoimento à Polícia Federal, que apenas foi divulgado nesta quinta-feira (29). Ele afirma que não há provas de que as operações envolvendo o Banco Master configuraram como fraude, e que o banco público notou uma variação no padrão documental e na maneira de originar créditos, mas sem evidências de que os ativos eram inexistentes. “Até hoje não temos certeza de que se tratou de fraude. O que identificamos foi apenas uma alteração nos procedimentos documentais e na originação dos créditos“, declarou.
De acordo com Paulo, os documentos obtidos pelo BRB demonstravam regularidades das averbações e débitos mensais. Ele acrescentou que a operação tinha um grande volume estimado de cerca de R$ 12 bilhões, abrangendo 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos. Durante a aquisição das carteiras de crédito, o banco seguiu os procedimentos básicos de mercado, registrando as operações e comunicando o Banco Central.
PF investiga operações entre BRB e Banco Master
A investigação da polícia federal buscava identificar possíveis omissões dos gestores do BRB e eventuais falhas nos processos de governança e prudência na aquisição das carteiras, que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco. De acordo com a apuração, o Banco Master teria adquirido os créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e, posteriormente, revendendo ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões, valor questionado pela PF. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após problemas de liquidez.
O ex-presidente afirmou que, mesmo havendo registro de algumas reclamações, não foram constatadas queixas de clientes negando a existência dos créditos, depois do esclarecimento sobre a aquisição das operações junto a terceiros. Também mencionou que testes feitos em uma amostra de cerca de 130 contratos constam em relatório circunstanciado do Banco Central.
Depoimento à PF aponta divergências
O depoimento faz parte das investigações da Polícia Federal sobre operações entre o BRB e o Banco Master. Em dezembro, o empresário e dono do Master, Daniel Vorcaro, e Paulo Henrique participaram de acareação na PF, apresentando versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito. Vorcaro afirmou ter informado que os créditos seriam originados por terceiros e desconhecia que os papéis eram da Tirreno. Entretanto, Paulo declarou que entendimento interno do BRB era de que os créditos tinham origem no Banco Master, negociados com terceiros antes de serem vendidos ao banco público.
Segundo o Banco Central, é responsabilidade das instituições financeiras analisar a qualidade dos créditos adquiridos e manter controles internos adequados, cabendo ao BC acompanhar qualquer liquidez e os riscos das instituições. Paulo Henrique disse que o BRB reforçou auditorias, informou o Banco Central e implementou ações para mitigar riscos, incluindo a exigência de garantias e a substituição de ativos Cerca de R$ 10,5 bilhões já foram substituídos, restando R$ 2,5 bilhões, com R$ 9 bilhões em garantias constituídas.
Por: Revista Mari.ssol