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Obesidade se torna principal fator de risco à saúde dos brasileiros, aponta estudo

Enquanto o país registra avanços no controle da hipertensão e na redução do tabagismo, o excesso de peso assume posição central entre os fatores que mais impactam a saúde da população e desafiam estratégias de prevenção cardiovascular.

by Marissol

O excesso de peso passou a ocupar o primeiro lugar entre os principais fatores de risco para a saúde da população brasileira. A constatação surge a partir de um amplo levantamento sobre a carga de doenças no país, que identificou uma mudança significativa no perfil dos riscos associados às mortes prematuras e aos anos vividos com limitações causadas por problemas de saúde.

Nas últimas décadas, o Brasil obteve resultados expressivos na redução de doenças cardiovasculares relacionadas à hipertensão arterial e ao tabagismo. O aumento do acesso ao diagnóstico, a ampliação dos tratamentos e políticas públicas voltadas ao combate ao consumo de cigarros contribuíram para diminuir a incidência de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), refletindo positivamente na expectativa de vida da população.

Em contrapartida, o crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade tem se consolidado como um dos principais desafios da saúde pública. Em 1990, o índice de massa corporal (IMC) elevado ocupava uma posição secundária entre os fatores de risco analisados. Em 2023, passou a liderar o ranking, ultrapassando a pressão alta.

A trajetória do aposentado Martino Galliano, de 57 anos, ilustra a complexidade desse cenário. Em 2013, após exames de rotina, ele descobriu uma obstrução grave em uma importante artéria coronária e precisou passar por uma cirurgia cardíaca. Durante o processo de recuperação, aderiu a uma rotina de atividades físicas e acompanhamento nutricional que resultou na perda de aproximadamente 80 quilos.

O resultado representou uma mudança significativa em sua condição de saúde. No entanto, anos depois, parte do peso foi recuperada. Em 2022, Martino sofreu um infarto e precisou ser submetido a procedimentos de emergência para restabelecer o fluxo sanguíneo nas artérias do coração.

Especialistas explicam que a obesidade é uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo. Mesmo após uma perda expressiva de peso, mecanismos biológicos podem favorecer o retorno dos quilos eliminados, tornando a manutenção dos resultados um dos maiores desafios do tratamento.

Além dos impactos estéticos frequentemente associados ao tema, o excesso de gordura corporal está diretamente relacionado a processos inflamatórios que afetam o organismo. Essa condição pode contribuir para o aumento da pressão arterial, alterações nos níveis de glicose, elevação do colesterol e maior sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.

A gordura acumulada na região abdominal merece atenção especial por estar associada a riscos mais elevados para doenças cardíacas e metabólicas. Por isso, profissionais da saúde recomendam monitorar não apenas o peso corporal, mas também a circunferência abdominal como indicador complementar de risco.

Outro aspecto destacado pelos especialistas é que muitas doenças cardiovasculares podem evoluir silenciosamente. Falta de ar, cansaço frequente e redução da capacidade física costumam ser atribuídos ao excesso de peso, o que pode retardar diagnósticos importantes. Em alguns casos, alterações nas artérias coronárias se desenvolvem sem sintomas aparentes.

Por essa razão, exames periódicos são considerados fundamentais para a detecção precoce de fatores de risco. Avaliações de colesterol, glicemia, pressão arterial e outros indicadores cardiometabólicos ajudam a identificar alterações antes que evoluam para quadros mais graves.

O estudo também chama atenção para fatores sociais relacionados ao avanço da obesidade. O acesso a alimentos saudáveis nem sempre acompanha a realidade econômica de grande parte da população. Produtos ultraprocessados, frequentemente mais acessíveis e de consumo prático, acabam ocupando espaço significativo na alimentação cotidiana.

Pesquisadores defendem que políticas de prevenção voltadas ao controle do peso devem receber atenção semelhante à dedicada ao combate ao tabagismo e ao tratamento da hipertensão. A avaliação é de que a obesidade necessita de estratégias permanentes, acompanhamento de longo prazo e ações que envolvam tanto o sistema de saúde quanto a promoção de hábitos mais saudáveis ao longo da vida.

Atualmente, Martino mantém uma rotina regular de exercícios físicos e acompanhamento voltado à saúde cardiovascular. Para ele, o controle do peso deixou de ser uma meta temporária e passou a fazer parte dos cuidados permanentes necessários para preservar a qualidade de vida.

O cenário apontado pela pesquisa reforça que, embora o Brasil tenha avançado no enfrentamento de importantes fatores de risco cardiovascular, o crescimento da obesidade representa um desafio crescente para a saúde pública. A prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo permanecem entre as principais ferramentas para reduzir os impactos do excesso de peso e suas consequências no longo prazo.

Por: Revista MARI.SSOL / G1

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